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Dados Técnicos
Processo Fabril
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O instrumento mais conhecido e difundido é o termômetro clínico, destinado a verificar a temperatura do corpo humano e determinar o estado febril da pessoa. Existem, porém, termômetros para fins industriais, laboratoriais, ambientais, etc. Termômetros para indústrias e laboratórios são em grande parte regidos por normas ou portarias específicas, editadas por organismos internacionais, como:

-ASTM (American Society for Testing and Materials);
-ISO (International Organization for Standarization);
-DIN (Deutshe Normen), etc.

E, organismos nacionais, como:

-INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial);
-ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Os termômetros regidos por normas específicas são fabricados rigorosamente dentro dos critérios por elas estabelecidos. A confirmação é obtida através da utilização de padrões rastreáveis a órgãos de reconhecimento internacional.

Termômetros de líquido em vidro são constituídos de um bulbo (recipiente do líquido de expansão) e um capilar com orifício que permite a subida ou descida do líquido a medida em que este sofre as alterações decorrentes da oscilação da temperatura. Os termômetros podem ser de escala externa ou interna.

Os termômetros de escala externa são fabricados em vidro maciço, normalmente em formato circular ou prismático. A impressão da escala é feita na superfície do vidro. Já os termômetros de escala interna são constituídos de tubo envólucro que faz com que a escala, que pode ser de vidro ou metal, fique embutida em seu interior.

Os termômetros de escala interna, durante o processo de sopração, são necessariamente submetidos a um processo de "chanframento", que tem por finalidade evitar que ocorram trincas no vidro, a medida que ele for sendo trabalhado e também como medida preventiva contra acidentes.

"Chanfrar", neste processo, significa aquecer a extremidade do vidro que conserva a aspereza devido ao corte pela serra, no fogo de forma que a parte cortante seja eliminada e que resulte um pequeno reforço na extremidade do vidro.

A "sopração" consiste principalmente em emendar os vidros do capilar com o bulbo e tubo quando pertinente, através da utilização de maçaricos e do sopro, e fazer alargamento nos furos dos capilares a fim de que estes se tornem câmaras de retenção ou expansão do líquido condutor. As câmaras de retenção são necessárias quando a escala não inicia em 0ºC (zero graus Celsius) e sim em pontos superiores, tais como: 50ºC, 100ºC, etc. Se não fosse adotado este procedimento o comprimento destes instrumentos ficaria exagerado.

Câmaras de expansão são sopradas em quase todos os termômetros de líquido em vidro. Sua principal finalidade é permitir que o líquido possa ultrapassar o limite superior da escala graduada sem que o bulbo estoure, serve também, para juntar fracionamentos que podem ocorrer na coluna de líquido.

Após a conclusão do processo de sopração, o vidro para retornar ao seu estado de equilíbrio, necessita de um recozimento, assim, o instrumento é submetido a um tratamento térmico por aproximadamente 60 horas, em um forno, a uma temperatura pré determinada por modelo de vidro.

A fase seguinte é o enchimento, através de um sistema de vácuo, o líquido é colocado dentro do termômetro de forma que o bulbo e o orifício do capilar fiquem totalmente preenchidos. O excesso é retirado a uma determinada altura, que é definida pela localização da escala, e a extremidade superior do capilar fechada.

Os líquidos de expansão mais comumente utilizados são o mercúrio para temperaturas de:

-38ºC (ponto de fusão) e +358ºC (ponto de ebulição). Termômetros com temperaturas acima de 358ºC também podem ter como líquido de expansão o mercúrio, porém necessitam ser pressurizados, isto é, coloca-se uma determinada quantidade de algum tipo de gás inerte, cuja finalidade é comprimir o mercúrio, permitindo desta forma que a temperatura de ebulição seja ultrapassada sem que ocorram oscilações.

Para temperaturas de -50 +150ºC também pode ser utilizada uma mistura de querosene colorida com anilina nas cores vermelha e azul.

Temperaturas de -200ºC e -100ºC são utilizados o pentano e toluol, respectivamente. Mercúrio: é o único metal líquido, sua coloração é prateada.

Após a conclusão desta operação, o termômetro é encaminhado para o laboratório onde é executada a calibração, isto é através da utilização de banhos, cada um específico para oscilar a uma determinada temperatura e, com o auxílio de padrões, os pontos são assinalados no capilar ou tubo de vidro através de um risquinho. Os pontos de calibração servem de parâmetro para definir a localização e o tamanho da escala. O processo de calibração é fator de grande importância na precisão dos termômetros.

Padrões são instrumentos que exigem calibrações periódicas, normalmente realizadas por órgãos ligados a RBC (Rede Brasileira de Calibração) ou órgãos certificadores internacionalmente reconhecidos.

O setor de gravação faz a impressão da escala no vidro, esta só acontece depois do trabalho todo ser executado na cera, isto é, traçado e números são marcados na cera, e o instrumento mergulhado no ácido fluorídrico que ataca o vidro formando um baixo relevo. A cera é retirada e posteriormente é passada uma camada de tinta, que fica retida nas cavidades fazendo com que a escala fique estampada nitidamente.

A impressão da escala é feita em pantógrafos e é automatizada. A numeração nos termômetros de escala externa é feita com normógrafos manuais, chamados internamente de numeradoras.

As escalas de vidro são numeradas através da utilização de carimbos. Em termômetros com temperaturas até 150ºC, também utilizamos o processo de impressão através de serigrafia.

Em termômetros de escala interna é necessário que a escala seja afixada em seu interior de forma que ela não sofra deslocamento. Para isso são utilizados vários métodos, presilhas metálicas, cortiças ou arames.

A etapa fabril é concluída na inspeção final. Aí são realizados testes dimensionais, visuais, de resistência e temperatura. Em termômetros regidos por normas específicas são feitas avaliações e registros individuais. Termômetros de precisão menos acentuada, os testes são realizados por amostragem e o registro feito por lote. Estes registros são mantidos em arquivo por um determinado período.